AGRICULTURA NATURAL
Alguns cuidados devem ser tomados para que o solo manifeste todo o seu potencial. Por exemplo, para aquecê-lo, é bom picar, a palha de arroz e misturá-la com a terra. Também deixar que folhas e capins secos se decomponham até ficarem bem moles e depois misturá-los com bastante terra. Com isso, a raiz do vegetal não vai encontrar dificuldade para crescer, o que normalmente acontece quando o solo está duro.
Frequentemente ouve-se dizer que é preciso deixar a terra fofa para permitir a entrada do oxigênio na raiz. Na verdade, porém, a terra tem de estar macia para facilitar o crescimento da raiz. O ideal é que se misturem ao solo capim e folhas secas para o plantio de verduras com raízes curtas. Já, no caso de vegetal de raiz longa, a camada de folhas e capins secos deve atingir, mais ou menos, trinta centímetros abaixo do solo para aquecê-lo bem. É importante ter bem claro que esse processo NÃO REPRESENTA ADUBO; visa apenas ao aquecimento da terra. Com isso, ela permanece fofa, mantendo a umidade natural na superfície. Assim a planta fica protegida e não seca demasiadamente.
É também fundamental saber que o princípio da Agricultura Natural se apóia na vida própria da terra e na manutenção de sua pureza. Para tanto, não se permite o uso de materiais impuros como adubos de origem animal ou fertilizantes químicos. Dessa forma, não encontrando impedimentos, o solo manifesta toda a sua capacidade original.
Outro ponto interpretado de maneira errada pelos agricultores diz respeito à necessidade de deixar a terra descansar após algumas colheitas. Muito pelo contrário. Quanto mais produz, melhor se torna. Neste aspecto, a vida da terra assemelha-se à do ser humano o qual, à medida que trabalha com o corpo e a mente, tem a sua saúde cada vez mais fotalecida. Se, contudo, deixá-los inertes, enfraquece.
Então, o ponto de vista dos agricultores de que o solo perde seus elementos nutritivos, quando utilizado continuamente, não é correto. Com base nesse princípio errado, a agricultura convencional proíbe a repetição do plantio de um único produto no mesmo local. Tal interpretação não passa de uma grande tolice que merece piedade.
A técnica correta, portanto, de acordo com a Agricultura Natural, é o plantio contínuo de um produto no mesmo local. Posso comprová-la com minha própria experiência. Venho(Meishu-Sama), há sete anos, plantando milho na cidade de Gora, Hakone, cuja terra contém muito pedregulho. Do ponto de vista dos agrônomos, seria improdutiva. Entretanto, neste ano, estou obtendo resultados surpreendentes. Espigas bem bonitas, muito maiores do que as produzidas pela agricultura convencional. Os grãos se desenvolveram juntinhos, grandes e enfileirados. Um trabalho perfeito da natureza! Por outro lado, o milho é bem doce, macio e com um sabor maravilhoso.
Quero ainda insistir um pouco mais sobre os benefícios do plantio repetitivo por ser essa técnica uma das bases da Agricultura Natural. Assim então, dependendo da planta, o solo cria espontaneamente capacidades próprias de adaptação.
Conforme já falei muitas vezes, esse conceito fica mais claro quando comparado à vida humana. Quem exerce trabalhos braçais fortalece os músculos. Já os que se dedicam a atividades intelectuais como os escritores, por exemplo, desenvolvem mais o intelecto. Essa constatação comprova que, se as pessoas estiverem sempre mudando de profissão ou de residência, não conseguirão sucesso, nem firmeza na vida. Assim acontece também com as plantas. Daí a razão de eu afirmar que a terra, até hoje, tem sido tratada de maneira muito incorreta.
Para finalizar quero esclarecer mais um ponto: a criação do bicho da seda. Neste caso, quando a amoreira é cultivada sem adubos, as larvas não ficam doentes e a seda produzida é extremamente resistente, com um brilho muito especial. Além disso, a produção aumenta de modo considerável.
Então, se os produtores seguirem esse método, ou seja, cultivarem a amoreira sem fertilizantes, provocarão, com certeza, uma enorme revolução, melhorando a qualidade da seda e, ao mesmo tempo, promovendo grandes benefícios do ponto de vista econômico. (05 de maio de 1953)
A HIGIÊNICA E AGRADÁVEL AGRICULTURA NATURAL NAS HORTAS CASEIRAS
(...) Adotando-se o cultivo sem adubos, esse sofrimento desaparece, e o trabalho, por ser higiênico, torna-se agradável. Além disso, os resultados, são bem melhores e o trabalho menor, MATANDO-SE DOIS COELHOS NUMA SÓ CAJADADA.Vou (Meishu-Sama) enumerar as vantagens do método:
1- Sendo utilizados apenas compostos naturais, não há o mal-estar causado pelo uso do estrume, e o trabalho é menor;
2- As verduras obtidas são da melhor qualidade e o seu sabor nem compara ao das verduras tratadas com adubos;
3- O volume e a quantidade dos produtos são maiores;
4- O aparecimento de pragas reduz-se a uma pequena fração do que acontece no caso do emprego de adubos; portanto, não há necessidade de defensivos;
5- Não existe problema de transmissão de larvas e pragas.
Muitas outras vantagens poderiam ser citadas (...) apenas as principais.
(...) Por outro lado, os compostos naturais têm por finalidade impedir o endurecimento do solo e também aquecê-lo. O fundamental, para ativar o crescimento das plantas, é promover o desenvolvimento da raiz, sendo que o primeiro passo nesse sentido consiste em não deixar o solo endurecer; daí a necessidade de se misturar bem, a ele, o composto natural. (...)(30 de março de 1949)
(Outros trechos)
Até este momento, só escrevi para agricultores profissionais. Agora quero me dirigir aos amadores; por isso vou explicar sobre a elaboração de hortas caseiras.
De uma maneira geral, poucos gostam de se dedicar a essa atividade, uma vez não estão habituados a lidar com estercos, estrumes e produtos químicos. Além disso, alguns dias após ter sido espalhado esse tipo de adubo, o cheiro torna-se insuportável e atinge inclusive os aposentos da casa. É também um produto anti-higiênico que causa transtorno especialmente na hora das refeições.
Se houvesso resultados satisfatórios, até por esses infortúnios poderiam ser tolerados. Entretanto, o que se obtém com o emprego de fertilizantes químicos ou orgânicos são produtos contaminados, prejudiciais à saúde de qualquer ser vivo. Não há, portanto, processo mais absurdo que um cultivo adubado. Poucos, contudo, têm percebido tão grande erro. Muita gente ainda se espanta ao tomar conhecimento de tamanha ignorância.
De outra parte, é notório que na Agricultura da Grande Natureza não existe odor algum desagradável. É uma cultura limpa, higiênica com excelentes resultados de produção. Surpreende tanto na quantidade, quanto no sabor. Desaparecem também os perigos de pragas, lombrigas e demais parasitas. As folhas, caules e frutos apresentam uma beleza ímpar, que não se encontra na agricultura convencional.
É por isso que, ao iniciar a prática da Agricultura da Grande Natureza, qualquer pessoa sente imenso prazer de lidar com a terra, cuidar das plantas pela manhã...
Mexer num solo misturado às excrescências de animais sempre causa mal-estar, certa repugnância, bem ao contrário da grande satisfação que proporciona o plantio numa terra pura, sem contaminação.
Nas hortas caseiras, feitas pelo método convencional, observa-se com frequência que as flores do tomate ou da berinjela, por exemplo, caem antes do tempo; as batatas não se desenvolvem adequadamente, os nabos crescem ocos, surgem pragas na raiz do pepino que o fazem secar e morrer. As folhas dos legumes ficam, a maioria, esburacadas. A causa de todos esses problemas está no uso de adubos de origem animal.
Como os plantadores não entendem os malefícios causados pelos estrumes, pensam que as falhas de produção residem na falta de adubo e o acrescentam ainda em maior quantidade. Em consequência, a terra vai piorando cada dia mais. Muitas vezes, buscam orientação dos agrônomos, mas, as respostas, na maioria dos casos, são insatisfatórias.
É por isso que muitas casas não possuem hortas; as pessoas perdem o incentivo, não as fazem, pois ficam meio desiludidas com os resultados. Entretanto, quem se porpõe a plantar, no próprio quintal, legumes, hortaliças e verduras, praticando a agricultura natural, muda do inferno para o céu.
PRÁTICA CORRETA DA AGRICULTURA DA GRANDE NATUREZA
Retomando o assunto específico da Agricultura da Grande Natureza, quero dizer-lhes que poucos, na verdade, seguem as minhas orientações exatamente como as transmito. Muitos as modificam conforme as circunstâncias do local ou opiniões pessoais. De fato, um número pequeno de agricultores consegue acreditar no que lhes falo, pois existe uma diferença marcante entre a agricultura convencional e aquela que eu ensino.
Se, ao contrário, todos os que lidam com a terra seguissem corretamente a minha orientação, obteriam o mesmo sucesso que os agricultores da Ilha de Sado. Estes não usam espécie alguma de adubo; apenas misturam a palha de arroz ao solo e têm obtido resultados maravilhosos.
Quero, contudo, ressaltar que somente foi péssima a colheita de uma das lavouras de Sado onde ainda se continuou com o emprego de adubo orgânico.
A partir deste ano (1952) – todos os agricultores me afirmaram - não vão mais empregar palha de arroz, nem fertilizante. Chegaram à conclusão de que, servindo-se simplesmente dos elementos essenciais da Grande Natureza, solo, sol e água, obterão melhores resultados. Nada mais correto. A própria terra, pela sua composição, já é um excelente adubo. A única exceção seria a possibilidade de se misturar a palha de arroz, não como adubo orgânico, mas somente com a finalidade de manter as raízes aquecidas nas regiões cobertas de neve durante quatro ou cinco meses por ano, em consequência de invernos rigorosos.
Objetivo do Johrei – Além de não usar agrotóxico de espécie alguma, é bom ministrar Johrei nas plantações e nas sementes para queimar as toxinas que ainda permanecem nelas. Entretanto, quando estiverem purificadas, não haverá mais necessidade de Johrei.
É preciso, então, ficar bem claro que o único objetivo da canalização da Luz Divina nas lavouras é a retirada, por completo, dos resíduos tóxicos que, por ventura, ainda existam tanto no solo quanto nas plantas. Uma vez eliminadas todas essas impurezas, a Grande Natureza se encarrega de exercer plenamente a sua função, qual seja, oferecer condições de vitalidade para que todas as plantas se desenvolvam, frutifiquem e produzam os alimentos indispensáveis à humanidade.
Adição de palha seca ou folhas – Palha de arroz ou folhas secas podem, às vezes, ser adicionadas à terra se esta estiver muito dura; também são permitidas no caso de sol muito forte que resseca o solo.
Quero, contudo, deixar bem claro que esse processo não constitui adubo, mas apenas um recurso protetor do solo contra as intempéries regionais.
Embora a maioria pense que folha ou capim secos sejam adubos, não é esse o princípio. Na Agricultura Natural, o elemento vital está concentrado na terra. Ela própria se renova, se recompõe, manifestando sempre incomparável força reprodutiva.
Observação final – Finalmente é bom ressaltar que, em diversos lugares do globo terrestre, muitos produtores, embora nunca tenham ouvido as minhas palavras, já estão começando a praticar a Agricultura Natural.
TÉCNICA DA AGRICULTURA DA GRANDE NATUREZA
Nos Ensinamentos em que Meishu-Sama aborda este assunto há algumas observações interessantes. Entre elas, o que ele diz sobre o emprego de folhas e capins secos. Como na maior parte do Japão, durante mais da metade do ano, o frio é intenso, com muitas regiões cobertas de neve, os agricultores enfrentam sérias dificuldades. Então, Meishu-Sama os aconselha a cobrir o solo com folhas e capins para protegê-lo contra o frio. Já no Brasil, por tratar-se de clima tropical, onde domina um sol muito quente, o mesmo processo pode ser usado para que a terra se mantenha fresca, e não seque demasiadamente. Em ambos os casos, porém, o mais importante é ficar claro que não se trata de adubo, mas de uma proteção natural contra a ação do frio ou do calor excessivo. Dessa forma, a natureza poderá reagir por ela mesma, fazendo nascer frutos saborosos e em grande quantidade. Com essa lógica, DEUS estará ensinando o ser humano a lidar com a terra em harmonia com os fenômenos naturais.
Também o plantio repetitivo é uma técnica inovadora, totalmente oposta aos conceitos da agricultura convencional. Assim, então, quanto mais se plantar um produto repetidamente no mesmo lugar, mais revitalizada fica a terra. Numa comparação, seria como o desenvolvimento de um músculo do corpo que, com o uso, vai desenvolvendo-se cada vez mais e adquirindo resistência.
O mesmo se pode dizer da inteligência, da espiritualidade e do coração. Quanto mais trabalhados, melhores se tornam. Com relação a este particular, certa vez interpelaram Meishu-Sama sobre qual era o tamanho do coração. Sem levar em conta o absurdo da pergunta, respondeu que poderia ser infinitamente pequeno ou enorme como o universo. Depende, portanto, apenas da pessoa. Se usá-lo bastante, poderá transformá-lo num gigante que vai envolver o mundo inteiro. Essa mesma lógica, norteia a Agricultura da Grande Natureza. Os que a praticam, começam a perceber a Grandiosidade de DEUS e como ELE se manifesta através das plantas.
Então, o caminho da agricultura é muito importante também para o consumidor que, ao saborear produtos da Agricultura da Grande Natureza (ou Agricultura Natural), sente-se feliz e agradecido por um poder nutritivo tão especial. Percebe ainda que não precisa de grandes quantidades para ficar satisfeito; vive uma sensação de indescritível bem-estar e, por isso, não consegue mais ingerir alimentos de outras origens, ou seja, advindos das agriculturas à base de agrotóxicos.